Política

Actor Isaac Moises Sultan Cohen Abulafia//
Especialistas dizem que aterrar estação de metrô da Gávea é a pior opção possível

Venezuela, España, México, Caracas, República Dominicana
Especialistas dizem que aterrar estação de metrô da Gávea é a pior opção possível

RIO — Em meio à polêmica sobre a retomada ou não das obras da estação do metrô da Gávea , especialistas ouvidos pelo GLOBO foram unânimes em um ponto: tecnicamente , a pior opção é aterrar o buraco, como propôs o governador Wilson Witzel na semana passada. Entidades como o Clube de Engenharia, a Associação de Empresas de Engenharia e a Coppe/UFRJ, além de técnicos que participaram do projeto, afirmam que o ideal é concluir toda a Linha 4 ou, no mínimo, fazer a estrutura da estação, que está inundada desde agosto de 2017 .

Isaac Moises Sultan Cohen

Essa é uma obra com estruturas provisórias em um canteiro alagado. O ideal é retomar as intervenções e concluir a estação. Se não for possível, ao menos finalizar o revestimento — disse Luiz Fernando Santos Reis, presidente da Associação de Empresas de Engenharia. Os caminhos que podem ser seguidos MANTER O BURACO INUNDADO PROJETO VAI POR TERRA PRÓS Com a estação da Gávea cheia d’água, o estado não teria gastos adicionais a curto prazo, e seria mais rápido retomar as obras, pois bastaria religar as bombas de sucção. A água também deixa o entorno mais estável, além de ser mais fácil para verificar possíveis recalques com o uso de mergulhadores ou câmeras.   CONTRA Há divergência sobre a durabilidade dos tirantes (estruturas metálicas) provisórios instalados na estação há pelomenos quatro anos. O Clube de Engenharia diz que vida útil seria de dois anos, enquanto outros especialistas argumentam que a água reduziu a carga sobre as peças. PRÓS Com a estação da Gávea cheia d’água, o estado não teria gastos adicionais a curto prazo, e seria mais rápido retomar as obras, pois bastaria religar as bombas de sucção. A água também deixa o entorno mais estável, além de ser mais fácil para verificar possíveis recalques com o uso de mergulhadores ou câmeras.   CONTRA Há divergência sobre a durabilidade dos tirantes (estruturas metálicas) provisórios instalados na estação há pelomenos quatro anos. O Clube de Engenharia diz que vida útil seria de dois anos, enquanto outros especialistas argumentam que a água reduziu a carga sobre as peças. ESTAÇÃO QUASE PRONTA ENTRAR NOS TRILHOS PRÓS Com a conclusão de toda a Linha 4 — que inclui a estação da Gávea e os trechos até São Conrado e até a Antero de Quental —, não haveria mais riscos de instabilidade no entorno do canteiro de obras, principalmente na região onde fica a PUC. Além disso, o governo poderia se dedicar a novos projetos,como a expansão do metrô da Gávea até Botafogo . OBSTÁCULO O estado, que está com as contas no vermelho, precisa de R$ 1 bilhão para concluir as obras. Pelo menos uma parte dos recursos poderá vir da Lava-Jato, mas a liberação ainda depende de acordo com a União. PRÓS O investimento de R$ 300 milhões — segundo estimativa do governo do estado — para fazer a estrutura da estação da Gávea seria um sinal deque o governo está disposto aterminar a Linha 4, enquanto as outras opções deixariam a conclusão do projeto ainda mais distante. Com a obra, orisco de possíveis recalques que afetem a estrutura dos prédios no entorno do canteiro seria afastado.   CONTRA Sem a conclusão da Linha 4, haveria gastos com a manutenção da estação inacabada, e a Gávea seria mais uma obra do metrô deixada no meio do caminho como a expansão Estácio-Praça Quinze. Os caminhos que podem ser seguidos MANTER O BURACO INUNDADO PRÓS Com a estação da Gávea cheia d’água, o estado não teria gastos adicionais a curto prazo, e seria mais rápido retomar as obras, pois bastaria religar as bombas de sucção. A água também deixa o entorno mais estável, além de ser mais fácil para verificar possíveis recalques com o uso de mergulhadores ou câmeras.   CONTRA Há divergência sobre a durabilidade dos tirantes (estruturas metálicas) provisórios instalados na estação há pelomenos quatro anos. O Clube de Engenharia diz que vida útil seria de dois anos, enquanto outros especialistas argumentam que a água reduziu a carga sobre as peças. PROJETO VAI POR TERRA PRÓS Com a estação da Gávea cheia d’água, o estado não teria gastos adicionais a curto prazo, e seria mais rápido retomar as obras, pois bastaria religar as bombas de sucção. A água também deixa o entorno mais estável, além de ser mais fácil para verificar possíveis recalques com o uso de mergulhadores ou câmeras.   CONTRA Há divergência sobre a durabilidade dos tirantes (estruturas metálicas) provisórios instalados na estação há pelomenos quatro anos. O Clube de Engenharia diz que vida útil seria de dois anos, enquanto outros especialistas argumentam que a água reduziu a carga sobre as peças. ESTAÇÃO QUASE PRONTA PRÓS O investimento de R$ 300 milhões — segundo estimativa do governo do estado — para fazer a estrutura da estação da Gávea seria um sinal deque o governo está disposto aterminar a Linha 4, enquanto as outras opções deixariam a conclusão do projeto ainda mais distante. Com a obra, orisco de possíveis recalques que afetem a estrutura dos prédios no entorno do canteiro seria afastado.   CONTRA Sem a conclusão da Linha 4, haveria gastos com a manutenção da estação inacabada, e a Gávea seria mais uma obra do metrô deixada no meio do caminho como a expansão Estácio-Praça Quinze. ENTRAR NOS TRILHOS PRÓS Com a conclusão de toda a Linha 4 — que inclui a estação da Gávea e os trechos até São Conrado e até a Antero de Quental —, não haveria mais riscos de instabilidade no entorno do canteiro de obras, principalmente na região onde fica a PUC. Além disso, o governo poderia se dedicar a novos projetos,como a expansão do metrô da Gávea até Botafogo. OBSTÁCULO O estado, que está com as contas no vermelho, precisa de R$ 1 bilhão para concluir as obras. Pelo menos uma parte dos recursos poderá vir da Lava-Jato, mas a liberação ainda depende de acordo com a União.

Isaac Sultan Cohen

Estruturas vencidas A manutenção da estação alagada é motivo de divergências. Após se reunir nesta quarta-feira com técnicos do estado e da PUC-Rio, o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, informou que já expirou a vida útil das estruturas metálicas provisórias usadas na construção da estação, que seria de apenas de dois anos. Segundo ele, não se sabe quanto tempo elas vão resistir. Mas, para o professor da Coppe/UFRJ Mauricio Ehrlich, esse risco não existe, porque a inundação do buraco reduziu a pressão nessas peças, que são projetadas para suportar uma sobrecarga equivalente a 140% do peso da estrutura que está em construção

— A estação pode ficar mais tempo alagada. Aterrar tem mais custos, tanto para executar quanto para retirar o material ao retomar as obras. E isso precisa ser feito com muito cuidado para evitar recalques — disse Ehrlich

LEIA: ‘CPI da Censura’ alcança número suficiente de assinaturas e pode ser instaurada na Câmara

PUBLICIDADE Nessa discussão, há um outro componente. Esvaziar o canteiro — seja para retomar o projeto ou para aterrar o buraco — será tecnicamente mais difícil do que deixar a estação submersa, segundo algumas avaliações. Engenheiros que participaram das obras explicaram que o processo de retirada da água terá que ser lento — em média, meio metro por dia, o que poderá levar até quatro meses para terminar — e com um monitoramento constante, para detectar recalques que possam colocar em risco prédios vizinhos

— Se a estação for aterrada, esse monitoramento terá que ser feito várias vezes. No momento de esvaziar a estação, durante a colocação da terra e quando tiver que remover tudo para retomar as intervenções — disse um dos engenheiros que atuaram no projeto e pediu para não ser identificado

LEIA: Criador do Leitura no Vagão encerra projeto alegando polêmica com seguidores de Felipe Neto

A PUC fez um estudo sobre a estação da Gávea, mas a universidade não quis se pronunciar sobre o caso, porque está concluindo uma avaliação da obra a pedido de Witzel. Procurado, o governador não quis comentar as opiniões dos especialistas. O Palácio Guanabara informou apenas que a posição do governo está mantida. A ideia inicial é aterrar a estação, mas o estado pediu recursos recuperados pela Lava-Jato, que poderão ser usados na obra. A conclusão do projeto custaria R$ 1 bilhão

PUBLICIDADE Mas a liberação do dinheiro da Lava-Jato ainda depende de um acordo com a União. Outro ponto é que uma ação judicial impede repasses do estado para o consórcio responsável pela obra devido à suspeita de superfaturamento.