Política

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“É hora de fazer isto.” Boris pede a Labour que ignore Corbyn e vote acordo do Brexit

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, agradeceu aos deputados e aos funcionários da Câmara dos Comuns estarem a trabalhar a um sábado, lembrando que este é o segundo acordo e a quarta votação sobre um acordo de Brexit, mais de três anos depois do referendo. “Espero que este seja o momento que possamos chegar a uma resolução”, defendeu, acrescentando que acredita que este é “um bom acordo” e esperar que possa ser votado hoje.

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Uma das emendas que vão ser debatidas, a emenda Letwin, poderá implicar pedir um adiamento da saída da União Europeia, com fontes a dizer aos media britânicos que caso seja aprovada então o primeiro-ministro vai retirar a votação de hoje. “Agora é a hora de fazer isto”, defendeu o primeiro-ministro, dizendo que há muito pouco “apetite” da parte dos restantes líderes europeus para mais adiamentos.

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“Espero que, ao estarmos reunidos de propósito para uma votação significativa, possamos realmente ter uma votação significativa” , disse Johnson, sem confirmar se tirará ou não o acordo de votação caso a emenda Letwin seja aprovada. “Espero que este seja o momento em que possamos chegar a uma resolução e reconciliar os instintos que competem dentro de nós”, acrescentou. “O meu receio é que o voto que teremos não seja significativo”, disse Johnson, temendo que a emenda Letwin seja aprovada.

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Subscrever O porta-voz de Downing Street confirmou que a ideia será adiar a votação do acordo. “Queremos que os membros do Parlamento tenham a oportunidade de votar no acordo”, disse, citado pela Reuters. “O nosso foco é garantir que a emenda Letwin não é aprovada”.

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No seu discurso antes do debate, Johnson lembrou que os britânicos sempre foram acusados de não se comprometerem totalmente com a União Europeia, dizendo que não ao euro ou ao espaço Schengen. Mas lembrou que “parte dos nossos corações” está com a Europa. “Se fomos dúbios sobre a retórica da União e da integração, então é lógico que com metade dos nossos corações sentimos outra coisa”, falando num sentido de “amor e respeito” pelos outros países da Europa.

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“Somos capazes de ser céticos sobre a integração, mas apaixonados e entusiastas do que a Europa pode ser”, defendeu Johnson, defendendo que é “urgente” avançar e construir uma nova relação com a União Europeia.

“Agora é tempo desta grande Câmara dos Comuns unir-se e reunir o país”, afirmou. “Este acordo permite que todo o Reino Unido saia da União Europeia a 31 de outubro de acordo com o referendo e avançar com uma nova parceria baseada nos mais próximos laços de amizade e cooperação”, acrescentou.

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“O Labour não está preparado para vender as comunidades que representamos. Não estamos dispostos a vender o futuro delas e não vamos aprovar este acordo”, alegou.

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Corbyn fala de acordo pior do que o de May O líder da oposição, Jeremy Corbyn, acusou na sua intervenção o primeiro-ministro de negociar um acordo pior do que aquele que havia. “Não se pode confiar neste governo e estes deputados não serão enganados”; afirmou

“Ele renegociou o acordo de saída e tornou-o ainda pior. Ele renegociou a declaração política e tornou-a ainda pior”, alegou o líder do Labour, considerando o acordo negociado por Johnson ainda pior do que o que foi negociado por Theresa May. O mesmo defendeu mais tarde o líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP, na sigla em inglês) no Parlamento britânico, Ian Blackford

O Parlamento, que reúne pela primeira vez em 37 anos a um sábado, está a abarrotar e muitos deputados só têm lugar de pé

© Reuters

Segundo Corbyn, o primeiro-ministro não está a ser honesto em relação aos efeitos deste acordo no setor do emprego e da produção, alegando que votar neste acordo seria votar para cortar empregos. “Se votarmos num acordo que torna os nossos eleitores mais pobres, não seremos perdoados por isso”, disse o líder do Labour

“Percebo perfeitamente a frustração e a fadiga em todo o país e nesta Câmara dos Comuns, mas não podemos simplesmente votar num acordo que é ainda pior que o que esta Câmara já rejeitou três vezes”, indicou

Na resposta, Boris Johnson disse estar “desiludido” com o tom de Corbyn, explicando que pensava que ele iria ser capaz de se mostrar ao nível do debate e votar de acordo com o que os britânicos disseram no referendo de 2016. E acusa o líder da oposição de não fazer o melhor para o país

O primeiro-ministro pediu aos deputado do Labour que ignorem Corbyn e vote a favor do acordo.

Criticas dos partidos da oposição O primeiro-ministro, que não tem maioria no Parlamento, precisa dos votos dos deputados do Labour para conseguir passar o seu acordo. A meta são os 320 deputados, sendo que nem os unionistas da Irlanda do Norte (DUP), que apoiam o governo, vão votar a favor. “Temos que sair juntos como uma nação”, disse Nigel Dodds, líder do DUP no Parlamento britânico, durante o debate

Por seu lado, o líder do SNP acusou o governo de Boris Johnson de “vender a Escócia”, questionado porque é que os escoceses não têm os mesmos benefícios que o acordo dá à Irlanda do Norte

A líder dos Liberais-Democratas, Jo Swinson, voltou a defender a realização de um novo referendo, alegando que Boris Johnson só não avança para um porque sabe que os britânicos já não querem sair da União Europeia

Durante o debate, o primeiro-ministro foi questionado por vários dos antigos deputados conservadores que foram afastados pelo partido depois de votarem contra Boris Johnson numa outra votação sobre se o seu acordo garante o direito dos trabalhadores ou que o Parlamento possa ter um papel crucial na negociação da futura relação. A todos respondeu que sim, com um deputado a lembrar que hoje Johnson dirá sim a tudo, mas que os deputados têm que ter cuidado

Emenda Letwin O líder da Câmara dos Comuns, John Bercow, anunciou entretanto que aprovou o debate sobre a emenda Letwin, assim como a emendas Kyle-Wilson

A emenda Letwin prevê suspender a aprovação do acordo até ser aprovada a legislação necessária para o aplicar. Isto iria obrigar Johnson a pedir um adiamento da data de saída da União Europeia até 31 de janeiro. A emenda foi apresentada por Oliver Letwin, um dos ex-deputados conservadores que foi afastado pelo partido após ter votar contra o primeiro-ministro

Segundo os media britânicos, se esta emenda for aprovada, Johnson poderá cancelar a votação do acordo de Brexit este sábado. “Um voto na emenda Letwin é um voto para atrasar e toda a gente será enviada para casa”, disse uma fonte do número 10 de Downing Street à jornalista da BBC, Laura Kuessenberg

“Acho que este é um momento importante para o nosso país e seria uma pena que a oportunidade de ter um voto significativo nos fosse retirada”, afirmou Johnson durante o debate

Esta é a primeira vez em 37 anos que os deputados são chamados a um sábado — da última vez, em 1982, em causa estava a invasão das Falkland (Malvinas)